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	<title>Olhar pra frente: plante esta ideia!</title>
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		<title>Um código sem floresta</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 00:27:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miriam Prochnow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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<p>Artigo da Marina Silva para O Estado de S. Paulo (28 de abril de 2012).</p> <p>O Congresso brasileiro aprovou nessa semana um novo Código Florestal. As avaliações são unânimes em dizer que foi o maior retrocesso no arcabouço institucional das políticas socioambientais no Brasil desde a ditadura. Isso não é exagero ou retórica para um <span style="color:#777"> . . . &#8594; Read More: <a href="http://www.miriamprochnow.com.br/2012/05/02/um-codigo-sem-floresta/">Um código sem floresta</a></span>]]></description>
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<p><a href="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/05/árvore-isolada-no-pasto.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1399" title="árvore isolada no pasto" src="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/05/árvore-isolada-no-pasto-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Artigo da <strong><a href="http://www.minhamarina.org.br/blog/2012/04/um-codigo-sem-floresta/" target="_blank">Marina Silva</a></strong> para O Estado de S. Paulo (28 de abril de 2012).</p>
<p>O Congresso brasileiro aprovou nessa semana um novo Código Florestal. As avaliações são unânimes em dizer que foi o maior retrocesso no arcabouço institucional das políticas socioambientais no Brasil desde a ditadura. Isso não é exagero ou retórica para um projeto que anistia os desmatamentos ilegais ocorridos até junho de 2008, com perdão das multas e desobrigação de recuperar o dano ambiental. Fez, está feito. Quem cumpriu a legislação, em vez de ser premiado, reconhecido, fica no prejuízo. Além disso, facilita a vida de quem quer continuar desmatando, abrindo brechas e exceções que permitem a redução das reservas legais e das áreas de preservação permanente e premiando o produtor que infringiu a legislação com acesso a crédito subsidiado do governo.</p>
<p>A principal justificativa é que precisamos aumentar a produção de alimentos para um mundo que já ultrapassou a marca de 7 bilhões de pessoas. Parece um objetivo nobre, mas a história não é bem assim. Basta lembrarmos que temos cerca de 200 milhões de bovinos no Brasil, que ocupam aproximadamente 200 milhões de hectares de terra. Uma produtividade de quase um boi por hectare, enquanto na vizinha Argentina esse índice chega a três bois por hectare. Estudos mostram que é possível dobrar a produtividade pecuária no Brasil a baixo custo, pois existe tecnologia acessível. Isso significa liberar 100 milhões de hectares, área bem maior que as ocupadas pela soja, cana, café, milho, arroz, feijão, batata, mandioca, etc, somadas.</p>
<p>Só esse exemplo mostra que é possível dobrar a produção sem derrubar um pé de árvore. É possível ainda expandi-la com a recuperação das áreas degradadas e abandonadas, que podem chegar a outros 100 milhões de hectares. Portanto, o que está em jogo não é a produção de alimentos, mas sim um modelo de desenvolvimento predatório, que maximiza o lucro no curto prazo e deixa para a sociedade um passivo ambiental gigantesco.</p>
<p>A escolha do Brasil se dá na encruzilhada da civilização. Não é possível ignorar os alertas da ciência para a realidade do aquecimento global e as drásticas mudanças no clima do planeta. Não podemos mais perder tempo com “bolhas” de prosperidade ilusória que custam os recursos de mil anos e se desfazem em menos de uma década. A encruzilhada da civilização é, sobretudo, de natureza ética.</p>
<p>A presidente Dilma terá que fazer a escolha: pactuar com esse modelo que gera degradação ambiental, privatiza o lucro e transfere os prejuízos para o restante da sociedade ou vetar o projeto e recolocar a discussão em outro patamar – o do desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Vetar um projeto aprovado com o voto de boa parte da própria base parlamentar pode não ser uma situação confortável para a presidente, mas foi o próprio governo quem permitiu que ela chegasse a esse nível. Todos os relatores eram da base do governo e eram ruralistas confessos ou neorruralistas. O resultado não poderia ter sido diferente, tinha que dar num estrondoso retrocesso. Agora, entra em cena a “disputa” entre ruralistas e governo.</p>
<p>Já estão discutindo quais pontos podem ser vetados sem melindrar os interesses da bancada ruralista. Torcemos para que a presidente realmente cumpra sua promessa de campanha e não faça uma espécie de maquiagem legal apenas para não ficarmos tão ruim assim na foto da Rio+20. O que interessa é nosso futuro e essa foto será impossível de retocar caso o projeto seja sancionado.</p>
<p>O projeto anistia as áreas ilegalmente ocupadas até junho de 2008 nas matas ciliares, nas encostas de morros, em mangues, nas reservas legais de propriedades de até quatro módulos fiscais (que pode chegar a 440 hectares, dependendo da região do País) e muitas outras áreas sensíveis. A anistia está espalhada em inúmeros artigos e parágrafos ao longo de todo o projeto. Muitos deles não podem ser vetados sem, com isso, subtrair igualmente do texto importantes instrumentos de proteção ambiental. Isso porque em muitos casos a exceção está junto com a regra principal, que é boa. A presidente não pode vetar apenas parte de uma frase, somente toda ela.</p>
<p>Para cumprir sua promessa eleitoral, a presidente Dilma teria que vetar “propostas que reduzam áreas de reserva legal e preservação permanente”. Novamente nesse caso temos uma lista bem grande de vetos. Mas o que deveríamos estar discutindo não é nada disso. O Brasil é uma potência ambiental e poderíamos estar discutindo de que forma valorizar nossos ativos para construirmos um país justo, com geração de emprego de qualidade e renda sem degradação ambiental, investimento em tecnologia e inovação que permita ao Brasil liderar a transição para o desenvolvimento sustentável, para a economia de baixo carbono.</p>
<p>Esse novo Código Florestal não representa a competição pelo caminho de cima, do ganho de produtividade como fator impulsionador da economia. Por isso, não há outra escolha a fazer, senão vetar tudo. Por isso pedimos o veto total. Dilma, veta tudo.</p>
<p>MARINA SILVA É EX-MINISTRA DO MEIO AMBIENTE</p>
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		<title>28 de abril &#8211; Dia Nacional da Caatinga</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 13:59:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miriam Prochnow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>A conservação da Caatinga precisa da manutenção e cumprimento do atual Código Florestal. #VetaTudoDilma.</p> <p>Para a caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, a manutenção e cumprimento do atual Código Florestal são de extrema importância.</p> <p>Ocupando cerca de 11% do território do país, é predominante da região nordeste. É uma região extremamente importante para a biodiversidade, porque <span style="color:#777"> . . . &#8594; Read More: <a href="http://www.miriamprochnow.com.br/2012/04/28/28-de-abril-dia-nacional-da-caatinga/">28 de abril &#8211; Dia Nacional da Caatinga</a></span>]]></description>
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<p><a href="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Parna-da-capivara1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1392" title="Parna da capivara1" src="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Parna-da-capivara1-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a>A conservação da Caatinga precisa da manutenção e cumprimento do atual Código Florestal. #VetaTudoDilma.</p>
<p>Para a caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, a manutenção e cumprimento do atual Código Florestal são de extrema importância.</p>
<p>Ocupando cerca de 11% do território do país, é predominante da região nordeste. É uma região extremamente importante para a biodiversidade, porque muitas espécies da flora e fauna somente ocorrem ali. Na Caatinga são encontradas 932 espécies de plantas, 148 de mamíferos e 510 de aves. 28 milhões de pessoas vivem no semi-árido brasileiro e dependem dos recursos naturais da Caatinga para sobreviver. Hoje 80% de seus ecossistemas já foram alterados de alguma maneira e a desertificação é o maior problema a ser enfrentado. No Brasil, 62% das áreas vulneráveis à desertificação estão em zonas originalmente ocupadas por caatinga.</p>
<p>A criação de unidades de conservação, o uso racional dos recursos naturais e o combate à desertificação são fundamentais para a conservação da caatinga e da qualidade de vida da população que mora ali. Mas apesar dos dados alarmantes a caatinga tem um grande potencial para o uso sustentável da sua biodiversidade. Inúmeras espécies se destacam para vários usos, desde madeira, forragem e medicinais.</p>
<p>É na caatinga também que se encontram os sítios arqueológicos mais importantes do Brasil, como os localizados no interior do Parque Nacional da Serra da Capivara, representados em sua maioria por pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem.</p>
<p>Confira o álbum de fotos no facebook:</p>
<p><a href="http://www.facebook.com/media/set/?set=a.376675375704545.81539.100000862577822&amp;type=1">http://www.facebook.com/media/set/?set=a.376675375704545.81539.100000862577822&amp;type=1</a></p>
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		<title>Projeto aprovado é uma ficção jurídica inaplicável</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 14:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miriam Prochnow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>Artigo de João Paulo Capobianco*, publicado na FSP no dia 27 de abril de 2012.</p> <p>O novo Código Florestal é uma ficção jurídica inaplicável que, se não for corrigido pelo veto, provocará uma enxurrada de ações na Justiça. Na sanha de obter vantagens sonhadas há décadas pelos mais atrasados coronéis, os parlamentares descaracterizaram o texto <span style="color:#777"> . . . &#8594; Read More: <a href="http://www.miriamprochnow.com.br/2012/04/27/projeto-aprovado-e-uma-ficcao-juridica-inaplicavel/">Projeto aprovado é uma ficção jurídica inaplicável</a></span>]]></description>
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<p><a href="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/foto_face_ruralistas1a.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1388" title="foto_face_ruralistas[1]a" src="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/foto_face_ruralistas1a-300x140.jpg" alt="" width="300" height="140" /></a>Artigo de João Paulo Capobianco*, publicado na FSP no dia 27 de abril de 2012.</p>
<p>O novo Código Florestal é uma ficção jurídica inaplicável que, se não for corrigido pelo veto, provocará uma enxurrada de ações na Justiça. Na sanha de obter vantagens sonhadas há décadas pelos mais atrasados coronéis, os parlamentares descaracterizaram o texto do Senado, que já era muito ruim.</p>
<p>O resultado dessa operação ensandecida não foi apenas a retirada da proteção das áreas mais sensíveis de nosso ambiente natural, como os manguezais, várzeas, veredas, áreas úmidas, encostas e topos de morros. Nessa lambança, retiraram tantos dispositivos que deixaram um enorme vácuo sobre o que pode e não pode ser feito.</p>
<p>Um exemplo é a obrigatoriedade de recomposição das matas ciliares, as que crescem nas margens dos rios e são fundamentais para manter a qualidade da água e proteger a biodiversidade. No desespero de aproveitar a oportunidade para obter o máximo de vantagens para quem desmatou ilegalmente essas áreas foi aprovada uma mudança que deixou indefinido o que deverá ser exigido para rios com mais de 10 metros de largura. O resultado é que prevalecerá a interpretação do Executivo e do Judiciário, podendo variar caso a caso, gerando enorme insegurança jurídica aos proprietários.</p>
<p>Além de consagrar a anistia geral e irrestrita, em completo desrespeito aos milhares de agricultores sérios que cumprem a legislação ambiental, o resultado é um requinte de desprezo aos mais simples requisitos de transparência. O Cadastro Ambiental Rural perdeu completamente sua efetividade, pois não poderá ser exigido para nada e a obrigatoriedade dos dados serem acessíveis na internet foi retirada do texto.</p>
<p>Eliminaram a diretriz de disponibilização livre na web das informações sobre a origem de madeira e produtos florestais. Na era da informação, parlamentares querem que suas atividades rurais fiquem fora do conhecimento e controle social. Alguém se arrisca a explicar o porquê?</p>
<p>*Diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade (<a href="http://www.idsbrasil.net/">www.idsbrasil.net</a>)</p>
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		<title>Precisamos do veto total ao código do desmatamento</title>
		<link>http://www.miriamprochnow.com.br/2012/04/27/precisamos-do-veto-total-ao-codigo-do-desmatamento/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 12:05:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miriam Prochnow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>Artigo de Marina Silva na Folha de São Paulo, sexta-feira, 27 de abril de 2012</p> <p>Algo está muito errado quando a maioria dos parlamentares, na contramão da vontade da maioria da sociedade, prefere um modelo de desenvolvimento que, em razão do lucro rápido, compromete o futuro do próprio país.</p> <p>O novo Código Florestal aprovado pela Câmara é <span style="color:#777"> . . . &#8594; Read More: <a href="http://www.miriamprochnow.com.br/2012/04/27/precisamos-do-veto-total-ao-codigo-do-desmatamento/">Precisamos do veto total ao código do desmatamento</a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/DSC_3612.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1381" title="DSC_3612" src="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/DSC_3612-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Artigo de Marina Silva na Folha de São Paulo, sexta-feira, 27 de abril de 2012</p>
<p>Algo está muito errado quando a maioria dos parlamentares, na contramão da vontade da maioria da sociedade, prefere um modelo de desenvolvimento que, em razão do lucro rápido, compromete o futuro do próprio país.</p>
<p>O novo Código Florestal aprovado pela Câmara é tudo, menos &#8220;florestal&#8221;. Virou uma regulamentação de atividades econômicas no campo, nas cidades e nos litorais, de forma a dourar a pílula e apaziguar consciências. Está longe de representar equilíbrio, sustentabilidade, respeito às pessoas e aos bens do país.</p>
<p>O que saiu do Senado, tido como de &#8220;consenso&#8221;, já ignorava o parecer das autoridades científicas e de especialistas de diversas áreas. Em nome dele, lideranças de quase todos os partidos classificaram como &#8220;radicais&#8221; as vozes críticas que defendiam as salvaguardas da legislação ambiental, capazes de garantir a qualidade de vida das gerações presentes e futuras.</p>
<p>As mesmas lideranças, porém, contemplaram os interesses verbalizados pelas outras vozes mais radicais de um Brasil atrasado, que se recusam a entender que desenvolvimento econômico e preservação ambiental são indissociáveis.</p>
<p>Tais escolhas colocam a presidente Dilma diante da tarefa de fazer o que sua base de apoio não fez. Veremos debates nos próximos dias, principalmente sobre o que deve ser vetado. A discussão será algo do tipo: o quão menos ruim o projeto pode ser para não ter um caráter imediatamente fatal.</p>
<p>Como foi aprovado no Congresso, já é praticamente unânime que ele trará implicações nas taxas de desmatamento. Discutir o veto parcial é como avaliar se desejamos colapsar os nossos ecossistemas (e, com isso, inviabilizar nossa agricultura) em 10 ou 20 anos.</p>
<p>O veto deve anistiar os desmatadores ou desobrigar a recomposição de matas ciliares? Deve ser pelo fim dos mangues ou pela redução de reserva legal? Fragilizar as veredas ou as nascentes e mananciais?</p>
<p>Não é isso que deveríamos discutir. Temos todas as condições de liderar o processo de transição para o desenvolvimento sustentável. O Brasil pode ser para o século 21 o que os Estados Unidos foram para o mundo no século 20. Mas são necessárias visão antecipatória e determinação de perseguir nosso destino de grande potência socioambiental. Não é fácil fazer a melhor escolha, porém é na pressão dos grandes dilemas que se forja a têmpera dos que estão afiados a talhar os avanços da história.</p>
<p>A presidente Dilma terá que decidir qual modelo de desenvolvimento quer para o país. Não dá para ter na mesma base de apoio o sonido da motosserra e o canto do uirapuru. Agora, resta a ela usar seu poder de veto ou compactuar com o que está posto. Chegou a hora da verdade. Veta, Dilma. Veta tudo, não pela metade.</p>
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		<title>ONGs catarinenses pedem veto ao Código Florestal</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 21:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miriam Prochnow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p>Organizações catarinenses fizeram nesta segunda-feira (23) a entrega de uma moção contra as alterações do Código Florestal aos representantes do IBAMA, ICMBio, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).  A matéria é de Fernanda Müller do Instituto Carbono Brasil. A foto é de Miriam Prochnow.</p> <p>O Superintendente do IBAMA em Santa Catarina, Kléber Isaac Silva de Souza, <span style="color:#777"> . . . &#8594; Read More: <a href="http://www.miriamprochnow.com.br/2012/04/24/ongs-catarinenses-pedem-veto-ao-novo-codigo-florestal/">ONGs catarinenses pedem veto ao Código Florestal</a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/L1040160.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1368" title="L1040160" src="http://www.miriamprochnow.com.br/wp-content/uploads/2012/04/L1040160-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Organizações catarinenses fizeram nesta segunda-feira (23) a entrega de uma moção contra as alterações do Código Florestal aos representantes do IBAMA, ICMBio, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).  A matéria é de Fernanda Müller do <a href="http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=730317" target="_blank">Instituto Carbono Brasil</a>. A foto é de Miriam Prochnow.</p>
<p>O Superintendente do IBAMA em Santa Catarina, Kléber Isaac Silva de Souza, assumiu o compromisso de enviar o documento ao Ministério do Meio Ambiente, à Secretaria Geral da Presidência, à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência e ao Gabinete da Presidente Dilma Roussef. Ao mesmo tempo ficaram de enviar a moção aos seus superiores em Brasília os representantes do MDA, Altair Antunes, e Ângelo de Lima Francisco que representava o coordenador regional do ICMBio/SC, Ricardo Castelli .</p>
<p>Trinta e três entidades, entre elas a <a href="http://www.apremavi.org.br/" target="_blank">Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi)</a> pediram no documento que a presidente Dilma Rousseff cumpra o seu compromisso eleitoral de não permitir leis que aumentem o desmatamento e vete, na íntegra, o texto do Projeto de Lei 30/2011.</p>
<p>O projeto de mudança do Código Florestal irá à votação no Plenário da Câmara dos Deputados nesta semana e é uma das mudanças mais polêmicas já feitas na história da legislação ambiental do país.</p>
<p>A moção catarinense denuncia e analisa a frágil situação Ambiental de Santa Catarina, e alerta para as enormes consequências negativas que a proposta de alteração do Código Florestal irá causar.</p>
<p>As entidades presentes também entregaram às autoridades a Nota Pública da Comissão Guarani Nhemonguetá pela não aprovação da PEC 215. Essa proposta, se aprovada, alterará o Art. 231 da Constituição Federal transferindo para o poder legislativo a decisão sobre demarcação de terra indígena, terras quilombolas, populações tradicionais e unidades de conservação.</p>
<h3>MOÇÃO DE SANTA CATARINA PELA MANUTENÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL E VETO PRESIDENCIAL</h3>
<p>Aos governantes, partidos e políticos, ao judiciário e ao povo brasileiro,</p>
<p>Mais uma vez denunciamos que setembro de 2011 ficará na história das famílias catarinenses como uma das piores tragédias ambientais das últimas três décadas, por omissão e responsabilidade das elites gestoras e governantes municipais, estaduais e federais. Cem municípios, o equivalente a um terço do nosso estado, foram tomados novamente pelas águas, após uma sequência de dias com chuvas torrenciais. Segundo dados da Defesa Civil, a inundação afetou quase um milhão de pessoas, sendo que 178 mil delas tiveram que deixar suas casas, e centenas de famílias perderam parentes e amigos. Os prejuízos materiais são estimados em R$ 453 milhões, porém as perdas, os traumas e as rupturas no processo histórico no tecido social, econômico, cultural e territorial são inestimáveis, irreparáveis e atravessarão gerações.</p>
<p>Denunciamos que este processo está intimamente ligado ao modelo de uso e ocupação do solo rural e urbano, que ainda tem como base de seu desenvolvimento a derrubada das matas, florestas e ocupação das margens dos rios e encostas, áreas suscetíveis a chuvas intensas devido à fragilidade do solo e relevo acidentado. Esta é a situação dos vales e encostas ao longo do litoral brasileiro e catarinense e do Vale do Itajaí em particular, o que é de conhecimento do povo brasileiro através das imagens aterrorizantes que circulam nos telejornais e nas incansáveis campanhas de solidariedade.  Esta situação não desaparecerá enquanto não houver respeito às condicionantes ambientais que hoje estão presentes no Código Florestal.</p>
<p>Nossa Região Oeste e o Planalto Catarinense, por sua vez, têm sofrido situação inversa, por escassez de água, com secas cada vez mais frequentes no campo e nas cidades. Embora seja o local do estado em que mais chove, a precipitação se torna concentrada, evapora e escoa rápido porque o sistema natural e alterado retém pouco devido ao mesmo modelo de desenvolvimento, que derrubou a floresta e ocupou as margens dos rios e encostas. Entre os anos 2002 e 2006, todos os municípios do Oeste decretaram estado de calamidade pública por seca na região.</p>
<p>Porém, ainda existem soluções; nossa história mostrou que nos últimos 20 anos a cobertura vegetal de Santa Catarina se recuperou muito devido ao Decreto n° 750/1993, que dispõe sobre o corte, exploração e supressão da Mata Atlântica, e posteriormente à Lei da Mata Atlântica (nº 11.428/2006), apesar de esta recuperação ser muito mal distribuída no estado.</p>
<p>O Inventário Florístico Florestal Catarinense demonstrou que temos ainda importantes áreas de florestas, mas não tão rica, alta e espessa quanto deveria estar. Temos cerca de 32% do estado coberto pela Mata Atlântica, concentrado especialmente na faixa litorânea.</p>
<p>Nossas Florestas estão com menos espécies, com estrutura mais baixa e árvores mais finas porque são jovens. Isso representa uma floresta em fase de recuperação. As amostras com boa floresta original são menos de 20 dos 540 pontos pesquisados no estado, e não por coincidência todas elas estão concentradas em unidades de conservação ou em locais de difícil acesso de extração. As 520 restantes estão em áreas perturbadas com a pressão de uso e ocupação do solo em um entorno muito grande.</p>
<p>Diante deste quadro de possibilidades e de tamanha fragilidade e vulnerabilidade, não restam dúvidas de que, com a permissão para diminuir a faixa ao longo dos cursos d’água e a redução ou uso irrestrito da Reserva Legal, pretendidas pelo PL 30/2011, vamos ter um empobrecimento da estrutura da floresta, uma redução de florestas  e uma fragilização ainda maior frente aos desastres.</p>
<p>Se o Código for aprovado da forma como propõe o Projeto de Lei, nós teremos uma redução drástica da Mata Atlântica no estado de Santa Catarina.  Nos períodos chuvosos, vamos estar mais vulneráveis às inundações, escorregamentos e enxurradas. Por outro lado, nos períodos de seca, não haverá suficiente oferta d’água para o consumo humano, animal, da lavoura e de preservação da natureza.</p>
<p>Precisamos de políticas públicas de apoio ao proprietário de área de floresta e para aquele que produz de forma mais sustentável. Precisamos de diminuição de impostos na propriedade e produção, máquinas e insumos agrícolas, linhas de crédito direto para isso, e apoio na manutenção de estradas para escoamento e na comercialização de nossos produtos para que produtor e consumidor tenham condições justas e dignas de emprego e renda e de vida, no campo e na cidade, em equilíbrio com o meio ambiente e preservação para as nossas futuras gerações.</p>
<p>É preciso facilitar o manejo de vegetação secundária e o estímulo à recuperação.  Se não houver políticas de conservação e uso dos recursos florestais, a tendência é de supressão, legal ou ilegal. Todo avanço que tivemos nas décadas de 80 e 90 pode perder-se e podemos ter um retrocesso rápido. Com base em ações proativas já experimentadas nas diversas regiões do Brasil e seus biomas, apesar do caráter extrativista da economia capitalista concentradora de riquezas na mão de uma minoria, em detrimento da maioria, podemos, mesmo assim, afirmar: o homem do campo só faz desmatamento e ocupa encostas e margens de rios devido à falta de política agrícola e agrária mais justa. Essa é, em especial, a realidade dos pequenos e médios produtores rurais, que são empurrados pelo grande proprietário agrícola para as áreas de preservação. Sofrendo situação semelhante estão as populações de baixa renda, que se tornam sem teto nas cidades e são empurradas paras as áreas de preservação porque não têm acesso às melhores localizações, serviços e infraestrutura.</p>
<p>Nas cidades o debate é muito mais complicado, pois o uso e ocupação do solo urbano estão ligados ao setor especulativo imobiliário, aliado das elites políticas, que negam a função social da propriedade do solo. Estes grupos não têm tido compromisso com o desenvolvimento  sustentável, nem com a garantia de qualidade de vida de todos, com a geração de emprego e renda e com a distribuição de riqueza produzida.</p>
<p>Sem aplicar os instrumentos legais do Código Florestal vigente e a legislação da Política Urbana, em especial o ESTATUTO DA CIDADE, não haverá solução, sendo que a nova proposta do PL 30/2011 só agravará e consolidará uma situação já insustentável na região urbana da maioria das cidades brasileiras.</p>
<p>A Reserva Legal, as APPs e APLs não atrapalham as atividades econômicas das propriedades; pelo contrário, se bem utilizadas podem contribuir na geração de renda da família, que em contrapartida ainda terão os benefícios ambientais. Sabemos que além das políticas agrícolas e agrárias, deformações existem no Código Florestal vigente, e isso merece revisão. A própria Resolução do CONAMA nº 369, de 28 de março de 2006, “dispõe sobre casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em área de preservação permanente”.  No entanto, este processo deve envolver a sociedade por inteiro, deve ser amplo, democrático e transparente, e não deve atender a pressões de grupos econômicos e  indivíduos do campo e da cidade que contrariem a atual legislação, réus de dividas ambientais que devem ser pagas à sociedade.</p>
<p>Enquanto  o Código Florestal não  passar por este amplo e democrático debate, como pleiteiam organizações científicas e movimentos sociais, é preciso que ele seja aplicado na íntegra e de forma equitativa entre os proprietários de médias e grandes áreas, com tratamento diferenciado para os resistentes pequenos agricultores, caiçaras, indígenas, quilombolas e outros que, na maior parte das vezes, contribuem para a preservação da biodiversidade e exercem suas atividades tradicionais e para sua sobrevivência, e estão de acordo com princípios básicos da sustentabilidade.</p>
<p>Finalmente, declaramos aos partidos políticos, ao governo e à sociedade que, na hipótese de aprovação do Projeto de Lei da Câmara ou do Senado, empunharemos a bandeira pelo veto total a ser dado pela presidente DILMA. Esta é a única atitude política que poderá sustentar o clamor da população, bem como a única que dará legitimidade às promessas feitas pela presidente ao povo catarinense e brasileiro na campanha de 2010, quando assumiu publicamente o compromisso de vetar qualquer projeto que promova anistias ou incentive mais desmatamentos.</p>
<p>Florianópolis, 16 de março de 2012.</p>
<p>Assinam:<br />
Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses &#8211; FEEC<br />
Rede de ONGs da Mata Atlântica &#8211; RMA<br />
Aliança Nativa<br />
Associação Ecológica Força Verde (ES)<br />
Associação de Estudos Costeiros e Marinhos &#8211; ECOMAR<br />
APRENDER Entidade Ecológica<br />
Associação Montanha Viva<br />
Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis- VIACICLO<br />
Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente &#8211; APREMA<br />
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida &#8211; APREMAVI<br />
Associação dos Condutores Ambientais e Culturais da Grande Florianópolis – UATAPÍ<br />
Associação Movimento Ecológico Carijós &#8211; AMECA<br />
Câmara de Meio Ambiente e Saneamento do Fórum da Cidade – CMAS-FC<br />
Coletivo Divulgar Antropologia de SC &#8211; Divu-ANT<br />
Coletivo UC da Ilha<br />
Comissão Pastoral da Terra de SC<br />
Comitê do Itajaí<br />
Comitê Santa Catarina em Defesa das Florestas e da Vida<br />
Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul – CIMI Sul<br />
Coordenação do Curso de Biologia &#8211; Uniasselvi<br />
Coordenação do Curso de Gestão Ambiental &#8211; Uniasselvi<br />
Diretório Acadêmico Oito de Maio &#8211; DAOM &#8211; FAED/UDESC<br />
Fórum da Cidade: Organização Social e Popular de Florianópolis<br />
Fundação Piava<br />
Grupo de Pesquisa Direito Ambiental na Sociedade de Risco –GPDA-UFSC<br />
Instituto CarbonoBrasil de Desenvolvimento Científico e Tecnológico<br />
Instituto de Desenvolvimento e Integração Ambiental &#8211; IDEIA<br />
Instituto Sea Shepherd Brasil -Instituto Guardiões do Mar<br />
Instituto Sócio Ambiental Campeche – ISA CAMPECHE<br />
Jurerê Jazz Festival<br />
Núcleo de Educação Ambiental do Centro Tecnológico &#8211; NEAmb-UFSC<br />
Santa Catarina Birdwatching<br />
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental -SPVS</p>
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